por Dzogchen Ponlop Rinpoche
Se quisermos desenvolver a capacidade de nos recuperar do estresse das mudanças que enfrentamos, precisamos ser flexíveis. E ser flexível significa se curvar sem quebrar. A definição de flexibilidade no dicionário é "curvar-se sem quebrar" e "capaz de responder facilmente a circunstâncias ou condições alteradas". Ela descreve "uma pessoa pronta e capaz de mudar, de modo a se adaptar a certas circunstâncias". Então, isso é ser flexível.
Quando somos flexíveis, conseguimos aproveitar o frescor dos belos momentos da vida. Conseguimos apreciar como cada momento da vida é fresco. Não congelado. A vida flui lindamente de um momento para o outro, como um rio. E todas as condições que encontramos na vida, sejam adversas ou agradáveis, também são frescas e momentâneas. Essa experiência de mudanças momentâneas é revigorante. Torna a vida interessante porque prende nossa atenção.
Não há nada estático aqui, nada chato. É muito emocionante, na verdade. Mas o que faz essa vida fresca e energética se transformar em um estado congelado é quando a colocamos no congelador dos nossos processos de pensamento. Então é como o motor da nossa geladeira zumbindo, latindo e piando enquanto o motor continua a chacoalhar. Mas, no geral, nossos pensamentos são a forma como congelamos essa natureza momentânea das condições da vida e do mundo. Quando fazemos isso, é como se houvesse uma pesada nuvem de gelo pairando constantemente sobre nossas cabeças.
Por que tentamos congelar o momento? Não sei exatamente, mas uma possível razão é que queremos que certas coisas permaneçam as mesmas. Por que refrigeramos as coisas? Porque queremos que elas permaneçam as mesmas, ou pelo menos mantê-las o mais próximo possível de sua condição original. Queremos que nossos vegetais – e nossa vida – sejam imutáveis.
Tentamos manter as coisas do jeito que queremos. Porque assim sentimos como se houvesse uma espécie de previsibilidade em nossa vida. Nos sentimos seguros naquele ambiente. E conseguimos manter a impressão de que estamos no controle. É bom sentir que estamos no controle. Mas será que sabemos mesmo o que o próximo momento nos reserva? Ou o próximo ano, ou a próxima semana? Haverá um amanhã? Não quero parecer muito nietschiano, mas parece que a ideia de mudança, ou a natureza momentânea da vida, de alguma forma se torna a fonte do nosso estresse e, às vezes, do medo absoluto.
Isso é bom, no entanto. Na verdade, é muito bom. É o primeiro sinal da sabedoria surgindo. Por mais desconfortáveis que possamos nos sentir com esse medo, ele ainda é um sinal de sabedoria. Então, nos sentimos inquietos e, em certo sentido, até sentimos medo em relação à mudança.Qualquer mudança é estressante, seja de emprego ou de local de casamento. De qualquer forma, é um pouco estressante porque não sabemos o que vai acontecer. Estamos em um território desconhecido e incerto. E a incerteza nos assusta um pouco. Não conseguimos prever o que vai acontecer e não conseguimos planejar. Planejar é fundamental, especialmente na nossa cultura americana.
Aversão ao controle ou curiosidade?
Mudanças nos assustam porque habituamos nossas mentes a uma falsa sensação de controle. Somos obcecados por controle em relação às nossas vidas. E essa ilusão de controle é reconfortante, mesmo que seja falsa. Não há nada de errado em se sentir confortável. Mas a realidade é que a vida é bastante imprevisível e está além do nosso controle. Ninguém sabe realmente o que vai acontecer. Portanto, precisamos ser realistas. É bom estar preparado, desenvolvendo habilidades que nos ajudem a lidar com a realidade da mudança.
Ao enfrentar uma mudança, você tem basicamente duas opções. Você pode abraçar a mudança e a realidade da incerteza. Ou lutar contra ela e simplesmente se deixar abalar. Essas são as nossas duas opções. E espero que você escolha a primeira — abrace a mudança. Abraçar a realidade significa se envolver com ela de forma criativa e habilidosa. Não é simplesmente dizer: "Ah, aconteça o que acontecer, acontecerá". Isso é meio fatalista e não ajuda em nada. Mas quando você encara a mudança com sabedoria e gentileza, você está sendo aberto e curioso. Você permanece curioso e questiona com abertura. Você está aceitando tudo o que surge no seu caminho como um bom desafio e uma oportunidade valiosa.
Se a realidade da mudança não existisse, não teríamos oportunidade de aproveitar ao máximo a nossa vida. Estaríamos presos ao que quer que sejamos. Mas quando abraçamos a inevitabilidade da mudança, é uma forma de dizer sim à nossa bela vida. Porque a nossa vida existe nas próprias mudanças que vivenciamos a cada momento.
Quando enfrentamos uma mudança dessa forma, apreciamos as possibilidades que ela traz. Então, não estamos apenas dizendo sim às coisas boas da vida, mas também dizendo sim às condições adversas. Porque dificuldades e sofrimentos podem ser muito úteis para realizarmos nossas aspirações.
Manter esses pontos em mente pode nos ajudar a encontrar o equilíbrio quando somos levados ao limite por desafios e estresse. Se quisermos tornar essas mudanças viáveis, precisamos começar de algum lugar. E quando encaramos os momentos da vida com curiosidade e abertura, temos a chance de redescobrir nossa resiliência e deixá-la brilhar.
Espere o inesperado: um exercício
1. Pense em uma situação atual em que você tem uma forte esperança de um determinado resultado. Imagine que a situação vai acabar exatamente como você deseja, de uma forma que beneficie todos os envolvidos. Sinta como é imaginar isso. Você pode escrever algumas palavras apreciando essa possibilidade.
2. Agora imagine algo nessa situação que poderia te surpreender ou te desviar do caminho. Sinta como é imaginar isso. Essa surpresa pode ser útil de alguma forma? Faça algumas anotações sobre isso, se quiser.
3. O que foi diferente em imaginar os dois cenários: o esperado e o inesperado?
4. Respire e relaxe por um momento. Deixe sua mente descansar. Considere que você sempre tem a opção de apreciar as mudanças que encontra, independentemente de elas corresponderem ou não às suas expectativas originais. fonte: https://dpr.info/articles
PROJETO MENTE MEDITATIVA
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